{"id":2666,"date":"2024-01-13T16:19:03","date_gmt":"2024-01-13T20:19:03","guid":{"rendered":"https:\/\/fontetrabalhista.com.br\/?p=2666"},"modified":"2024-07-17T16:28:55","modified_gmt":"2024-07-17T19:28:55","slug":"tst-dispensa-de-motorista-com-transtorno-afetivo-bipolar-e-julgada-discriminatoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/heyo.com.br\/clientes\/fontetrabalhista\/site\/2024\/01\/13\/tst-dispensa-de-motorista-com-transtorno-afetivo-bipolar-e-julgada-discriminatoria\/","title":{"rendered":"TST &#8211; Dispensa de motorista com transtorno afetivo bipolar \u00e9 julgada discriminat\u00f3ria\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">12\/01\/2024 &#8211; A S\u00e9tima Turma do Tribunal Superior do Trabalho declarou o car\u00e1ter discriminat\u00f3rio da dispensa de um motorista carreteiro da Rumo Malha Sul S.A. com transtorno afetivo bipolar. Tamb\u00e9m reconheceu o direito dele \u00e0 repara\u00e7\u00e3o pelo preju\u00edzo extrapatrimonial. O valor da indeniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi definido pelo colegiado do TST, que determinou o retorno dos autos \u00e0 1\u00aa Vara do Trabalho de Curitiba (PR) para que prossiga no julgamento e\u00a0 arbitre quanto o trabalhador deve receber.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Afastamentos<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contratado em 2012 e dispensado em 9\/9\/2013, o motorista carreteiro afirmou, no processo, que estava inapto para o trabalho na data da dispensa. Alegou que a empresa tinha conhecimento dos sucessivos afastamentos previdenci\u00e1rios e afirmou que a dispensa ocorreu enquanto ele aguardava a decis\u00e3o judicial sobre o restabelecimento do \u00faltimo benef\u00edcio previdenci\u00e1rio. Em seguida, o aux\u00edlio-doen\u00e7a foi restabelecido de forma retroativa a 1\u00ba\/4\/2013, ou seja, data anterior \u00e0 rescis\u00e3o contratual. Al\u00e9m da nulidade da dispensa, ele pediu indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais, argumentando que a dispensa foi discriminat\u00f3ria, decorrente de sofrer de transtorno afetivo bipolar.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Dispensa nula<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao julgar o caso, o Tribunal Regional do Trabalho da 9\u00aa Regi\u00e3o (PR) declarou a nulidade da dispensa, mas rejeitou o pedido de indeniza\u00e7\u00e3o. Conforme o TRT, o restabelecimento do benef\u00edcio previdenci\u00e1rio implica reconhecimento de que, no momento da dispensa, em 9\/9\/2013, o contrato de trabalho encontrava-se suspenso, \u201cn\u00e3o sendo poss\u00edvel efetuar a sua rescis\u00e3o enquanto perdurar o per\u00edodo de licen\u00e7a\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o, entendeu serem inaplic\u00e1veis a Lei 9.029\/1995 e a S\u00famula 443 do TST, que presume discriminat\u00f3ria a despedida de empregado portador do v\u00edrus HIV ou de outra doen\u00e7a grave que suscite estigma ou preconceito, sendo o ato inv\u00e1lido e com o empregado tendo direito \u00e0 reintegra\u00e7\u00e3o no emprego. Para o TRT, a enfermidade que acomete o trabalhador (transtorno afetivo bipolar) n\u00e3o se enquadraria como &#8220;<em>doen\u00e7a grave que suscite estigma ou preconceit<\/em>o&#8221; e, assim, n\u00e3o poderia ser presumida a dispensa discriminat\u00f3ria. No caso, segundo o Tribunal Regional, n\u00e3o houve ilegalidade por parte da empregadora, e caberia ao trabalhador demonstrar que a rescis\u00e3o contratual foi motivada pela doen\u00e7a psiqui\u00e1trica.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Doen\u00e7a, estigma e preconceito<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com entendimento diverso do TRT, o relator do recurso de revista do motorista ao, ministro Agra Belmonte, destacou que n\u00e3o se sustenta a tese defendida no ac\u00f3rd\u00e3o regional de que os transtornos psiqui\u00e1tricos n\u00e3o provocam estigma e preconceito, pois essa percep\u00e7\u00e3o \u201c<em>encontra-se absolutamente desconectada da ci\u00eancia e da realidade social<\/em>\u201d. Na avalia\u00e7\u00e3o do ministro, \u00e9 dif\u00edcil escapar da presun\u00e7\u00e3o de que o rompimento unilateral do v\u00ednculo empregat\u00edcio \u201c<em>teve por motiva\u00e7\u00e3o a inten\u00e7\u00e3o da empregadora de n\u00e3o contar em seus quadros com trabalhador suscet\u00edvel a essa enfermidade<\/em>\u201d.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Agra Belmonte, mesmo sendo direito do empregador rescindir unilateralmente o contrato de trabalho, \u201c<em>tal prerrogativa n\u00e3o deve se sobrepor a todo o acervo constitucional e legal constru\u00eddo, democraticamente, com o intuito de salvaguardar os conceitos de igualdade, de solidariedade, de fun\u00e7\u00e3o social do trabalho, de dignidade da pessoa humana<\/em>\u201d, assinalou. Isso, principalmente, diante do contexto hist\u00f3rico atual, em que \u201c<em>a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas afirmativas de inclus\u00e3o de grupos minorit\u00e1rios, inclusive dos portadores de necessidades especiais e de doen\u00e7as graves e\/ou estigmatizantes, floresce na popula\u00e7\u00e3o brasileira<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Condutas discriminat\u00f3rias<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ministro citou tamb\u00e9m precedentes do TST de casos an\u00e1logos que, embora n\u00e3o versem especificamente da situa\u00e7\u00e3o examinada, tratam do car\u00e1ter estigmatizante das doen\u00e7as psiqui\u00e1tricas. Mais ainda, salientou a jurisprud\u00eancia atual de que as condutas discriminat\u00f3rias descritas no artigo 1\u00ba da Lei 9.029\/1995 constituem \u201celenco meramente exemplificativo\u201d, notadamente pelo fato de a Lei 13.146\/2015 inserir a express\u00e3o \u201centre outros\u201d na reda\u00e7\u00e3o original daquele dispositivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A S\u00e9tima Turma do TST, considerando que a averigua\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o atual do trabalhador e a verifica\u00e7\u00e3o da viabilidade de sua reintegra\u00e7\u00e3o aos quadros da empresa escapam ao papel da inst\u00e2ncia extraordin\u00e1ria, determinou o retorno dos autos \u00e0 Vara do Trabalho de origem. O relator assinalou tamb\u00e9m que, embora tenha sido reconhecida a exist\u00eancia do dano moral, a aus\u00eancia de detalhamento f\u00e1tico no ac\u00f3rd\u00e3o regional acerca da extens\u00e3o da ofensa aos direitos da personalidade \u201c<em>recomenda que o magistrado de primeiro grau proceda ao arbitramento do quantum devido ao trabalhador<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A decis\u00e3o foi un\u00e2nime, mas foram apresentados recursos, ainda n\u00e3o julgados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Processo:\u00a0<a href=\"https:\/\/consultaprocessual.tst.jus.br\/consultaProcessual\/resumoForm.do?consulta=1&amp;numeroInt=14104&amp;anoInt=2017&amp;qtdAcesso=54886251\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ARR-184-88.2014.5.09.0001\u00a0<\/a>(Ac\u00f3rd\u00e3o de 13\/10\/2023)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Fonte: <\/strong>Portal TST. Acesso em 13\/01\/2024<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>12\/01\/2024 &#8211; A S\u00e9tima Turma do Tribunal Superior do Trabalho declarou o car\u00e1ter discriminat\u00f3rio da dispensa de um motorista carreteiro da Rumo Malha Sul S.A. com transtorno afetivo bipolar. 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